No futebol e fora dele, vamos parar de usar cego como sinônimo de ignorante?

Ouvia, entre uma garfada e outra do meu almoço, o debate em uma mesa redonda de grande audiência na internet. Nela, os jornalistas discutiam a capacidade de um treinador compreender o que havia de errado com a escalação e o esquema tático de seu time atual.

A atenção então se voltou ao lateral direito e formou-se a unanimidade: não tinha bola suficiente para defender o Flamengo. Até que veio o veredito: “Se o técnico não consegue ver isso, melhor que pegue logo uma bengala branca ou um cão-guia”, afirmou um veemente especialista. Engasguei com o arroz.

Tal como no programa esportivo, em que ninguém se preocupou em questionar a fala do colega, a associação entre cegueira e ignorância é amplamente aceita. Uma rápida pesquisa nesta Folha traz essa ideia, em textos de colunistas ou reproduções de falas de terceiros, incluindo ainda expressões como “cego pelo poder”, “cegueira ideológica”, “fanatismo cego” ou “entusiasmo cego”.
Leia mais (07/02/2026 – 10h45)