No Dia da Consciência Negra, conheça lugares que preservam a memória afro de São Paulo

Pouca gente sabe, mas na praça Antônio Prado, no coração de São Paulo, está uma estátua de Zumbi dos Palmares. O ex-escravo foi morto em 20 de novembro de 1695, data em que, séculos depois, passou a ser celebrado o Dia da Consciência Negra. O monumento não está ali à toa. Ele relembra histórias que a cidade se esquece de contar.

Ali, no século 17, ficava a igreja de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, onde negros livres e escravos se encontravam em ritos religiosos, congadas e batuques. Não muito longe, na Liberdade, bairro que hoje é tomado por referências orientais, escravos eram enforcados. No Arouche, um busto de Luiz Gama rememora os feitos de um ex-escravo que ajudou a libertar mais de 500 pessoas.

Algumas dessas memórias fazem parte dos roteiros da Diaspora.Black, empresa que promove passeios relacionados à população negra em 150 cidades de 15 países. São Paulo foi a primeira delas. “Existem uma série de apagamentos, intencionais ou não, de marcos da cidade. O trabalho que a gente faz é ir na contramão disso. É importante saber o que aconteceu para podermos fazer diferente”, diz o cofundador do projeto, Antonio Pita.

Para ele, é importante contar que a essência da cidade está entrelaçada à memória negra. “Se São Paulo é o caldeirão que é hoje, também é em função da população negra, tanto na fundação da cidade, com o suor e a construção de catedrais, quanto no legado da arquitetura de Tebas, da literatura de Carolina Maria de Jesus, do terreiro, do samba, da capoeira”, enumera.

Para manter esses espaços pulsantes e celebrar a Consciência Negra, comemorada nesta sexta (20), o roteiro a seguir foi feito com a curadoria da Diaspora.Black e propõe visitas a marcos negros da cidade. Vários deles estão presentes nos tours da companhia, que fará edições especiais ao longo do mês -saiba mais sobre datas e ingressos no fim do roteiro. É só separar um mapa e uma máscara. E bom passeio.
Leia mais (11/19/2020 – 16h00)