Inspiração da Lava Jato, Mãos Limpas sofreu mais com reação de políticos

No dia 13 de julho de 1994, uma quarta-feira, Brasil e Itália se classificaram para a final da Copa do Mundo disputada nos Estados Unidos. Seria a reedição da decisão de 1970 e a tão esperada revanche brasileira após a eliminação de 1982. 

Em Roma, a loucura nacional com os dois gols de Roberto Baggio -os italianos bateram na semifinal a Bulgária de Stoichkov, uma das sensações do mundial, por 2 a 1- ofuscou uma decisão tomada naquele dia pelo governo recém-eleito de Silvio Berlusconi.
 
O Executivo aproveitou a euforia futebolística para editar o decreto Biondi (referência ao nome do ministro da Justiça de Berlusconi que o propôs), que ficaria popularmente conhecido como “salva ladri” (salva ladrões) e provocou a soltura de todos os investigados da Operação Mãos Limpas que estavam detidos preventivamente, retardando e anulando muitos dos processos. 

A medida foi o primeiro golpe do sistema contra a investigação iniciada em 1992 e que vinha naquela altura dinamitando toda a classe política, além de ameaçar o próprio Berlusconi, empresário que chegou ao poder como um outsider após o estrago inicial da investigação nos partidos tradicionais.
Leia mais (09/15/2019 – 02h01)