A direita brasileira que transformou Scruton em pai de santo deveria lê-lo pela primeira vez
Roger Scruton não era um filósofo original. Mas era um grande conhecedor de filosofia, a começar pela filosofia conservadora.
Bem sei que essas duas frases, na hora da morte, provocam desmaios entre os fãs. Mas elas devem ser lidas como homenagem, não como crítica.
Na segunda metade do século 20, e para ficarmos entre filósofos conservadores, Michael Oakeshott (morto) ou John Kekes (ainda vivo e ativo) são filósofos originais, que trouxeram ao conservadorismo dimensões até então inexploradas.
O ceticismo de Oakeshott ou o pluralismo de Kekes são construções intelectuais refinadíssimas sobre a natureza humana -e sobre a natureza da política.
O papel de Scruton foi mais modesto e, por isso mesmo, mais influente entre os leigos: ele aplicou velhos conceitos da gramática conservadora aos problemas da pós-modernidade.
O maior de todos esses problemas foi designado pelo autor como “cultura de repúdio”: o pensamento revolucionário, que Scruton testemunhou no Maio de 1968, em Paris, repudia toda a tradição moral e institucional de uma sociedade democrática, em busca de uma quimera em que os homens se encontram radicalmente livres.
Leia mais (01/12/2020 – 18h57)
